sábado, 25 de agosto de 2012

Exposição: C´étaient des Enfants (Eram crianças) - Deportação e Salvação de Crianças Judias em Paris na 2a. Guerra Mundial


Os inúmeros outdoors espalhados pela cidade chamaram a nossa atenção para a Exposição que está acontecendo na Prefeitura de Paris em memória das crianças judias presas em Paris durante o Holocausto, na segunda guerra mundial. Fomos ver essa Exposição e foi comovente, difícil conter a emoção diante da tristeza e ingenuidade daquelas crianças para quem o maior presente seria reencontrar os pais, o que raramente veio a acontecer.

"C'étaient des Enfants" é uma Exposição que retrata a vida  das crianças judias   parisienses  escondidas durante a guerra. Ela nos convida a descobrir o caráter excepcional das peças que são ali mostradas, cartas, fotografias, objetos, desenhos e documentos oficiais. 






Mais de 6100 crianças foram presas em Paris durante o holocausto, foram separadas dos seus pais e a maior parte delas foi deportada para o campo de Auschwitz. Prá compreender esta tragédia, é preciso retornar a um lado sombrio da história da França, que eu vou tentar reproduzir aqui, resumindo.

Em 1940 o armstício dividiu a França em duas e começou a estigmatização dos judeus e consequentemente das crianças. 

A Delegacia de Polícia de Paris criou um fichário com os nomes das crianças judias. Uma vez identificadas, elas precisavam ser reconhecidas, então as crianças com mais de 6 anos tinham que usar uma estrela amarela na sua roupa. As crianças judias não podiam mais frequentar lugares públicos, parques, espetáculos, colonias de férias...

Às vésperas da segunda guerra mundial, a população judia da França era estimada em 320.000 pessoas, sendo um terço nascidos na França e os demais eram imigrantes.
Em julho de 1942, as prisões em massa   de famílias  suscitaram reações de solidariedade. Mais de 80% das crianças judias que residiam em Paris em 1939 puderam sobreviver à guerra graças à mobilização de seus pais, das redes de resistência judia e da solidariedade ativa de numerosos parisienses. 

Estar "escondido" pressupunha aceitar estar separado da sua família, trocar de identidade, por vezes ser batizado na religião católica, deixar Paris, enfim fazer-se aceitar por um novo grupo, entre quase-adoção e maus-tratos.

Nessa condição, para atenuar a separação e sempre que possível, as crianças escreviam para os seus pais. Quando os pais não eram encontrados, as crianças faziam desenhos, preparavam os presentes na esperança de reve-los, esperança que se verificaria quase sempre vã.  Alguns chegavam a encontrar seus pais, porém enfraquecidos, sem recursos e sem alojamento.

Em 1945 contavam-se 10.000 órfãos judeus na França.
As obras beneficentes judias abriram casas para acolher temporariamente essas crianças . A vida em conjunto nessas casas marcava uma nova prova para as crianças...significava que elas não iriam jamais rever seus pais.
Mergulhar na história do holocausto é muito triste, os pormenores nos deixam com um nó na garganta...algumas pessoas saiam de lá aos prantos... talvez voces considerem que este não deveria ser um assunto para o que se propõe o blog mas se ele se destina a registrar os eventos importantes eu acho que devo sim registrar isso também, afinal foi a minha primeira experiência de contato direto com os relatos e objetos  desses acontecimentos...
Foi difícil resumir a contento, mas eu me esforcei.

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