domingo, 9 de setembro de 2012

A encantadora V I E N N A !



 Aeroporto super grande e moderno, muitas lojas e cafeterias, perfeito!
 
Fazia tempo que Viena estava nos meus projetos de viagem, tinha muita vontade de conhecer e finalmente isso aconteceu, fomos a Viena prá passar 4 dias, que no final se estenderam para 6. Eu imaginava que gostaria de lá, mas não fazia idéia de que ficaríamos encantados com essa cidade linda e acolhedora, porque nunca ouvi nenhum comentário assim, tão enfático a respeito.

Ao mesmo tempo em que ela nos encanta pelo clássico, pela preservação da memória do seu passado majestoso - belíssimos prédios, igrejas, monumentos, jardins - ela também nos mostra estar claramente voltada para o futuro, para a modernidade, exemplo disso é a sede da Swarowsky, que usa e abusa de efeitos espetaculares com os seus famosos cristais.






Como em qualquer outra cidade, a meu ver, a melhor maneira de conhecer Viena é a pé, percorrendo o anel (eles chamam de ring mesmo) que contorna a cidade. Claro que se poderia optar  pelo  transporte público, que abrange  35% de todos os trajetos em Viena e dizem ser bem eficiente - são os onibus e principalmente os  bondes modernos.


Eu diria que Viena é uma cidade das mil coisas.
Primeiramente, a VIENA DOS CAFÉS - Eu sempre acreditei que a cidade dos cafés fosse Paris porque em Paris você encontra muitos cafés numa mesma quadra...mas não é bem assim não, agora a cidade dos cafés prá mim é Viena. Eu li que são mais de 150 cafés espalhados pela cidade,  são uma verdadeira instituição dessa capital,  acolhedores, você pode sentar e ficar horas ali, jogando conversa fora ou apenas vendo o tempo passar. Em um bom café vienense, voce pode tomar uma xícara de café de pelo menos  20 maneiras diferentes. Em Viena, o café faz parte do jeito de ser deles, do estilo de vida desde sempre, todos eles com seu charme próprio, uns mais sofisticados, outros menos, mas todos têm o seu encanto e a sua própria identidade, sempre forte. É por isso que fiquei bem admirada de ver as inúmeras lojas da Starbucks que existem na cidade, todas elas com o mesmo sucesso que fazem mundialmente. Assim também aconteceu em Paris, onde no início tudo indicava que a primeira loja na Avenida da Ópera seria um fracasso e hoje você encontra uma Starbucks em cada esquina, quase. Enfim, a taça vai para Viena, ela ganha de Paris no quesito Café.


Mas voltando à cidade das mil coisas, eu diria que Viena é também a cidade:
- da gentileza
- do chocolate
- dos bondes
- das carruagens
- dos carrões
- dos museus
- dos cavalos
- dos palácios
- dos jardins
- da música
- de Mozart, de Strauss, de Bethoven...
- de Klimt
- da Sissi

e sabe lá de quantas outras coisas mais!




Quando eu falo em gentileza, é porque as pessoas são muito gentis, elas não hesitam em perguntar se podem ajudar quando nos vêm meio desnorteados na rua com o mapa na mão. A língua é o alemão, mas muitos falam inglês e quando não, a gente sempre acaba se entendendo.

Ir a Viena prá mim significava também conhecer o "palácio da Sissi" que sempre habitou o meu imaginário quando criança. Quem, da minha geração, não assistiu à trilogia de Sissi, a Imperatriz? Pois bem, claro que fui ao Palácio/Museu onde ela viveu - pelo menos durante parte da sua vida - e percorri todos os aposentos, vi as jóias e os vestidos, as perucas mostrando como eram os seus "penteados" (imagino como a minha mãe também teria amado estar ali comigo) e também revi toda a história das depressões, doenças, viagens, frustrações que ela tinha. É tudo muito bem desenhado, dramatizado, a gente consegue se transportar prá aquele tempo, especialmente porque vimos a Romy Schneider interpretando a imperatriz no cinema. Nada disso é permitido fotografar. Ali no Palácio HOFBURG está exposta também toda a prataria e as guarnições de porcelana que eram usadas na corte do Império, estas podiam ser fotografadas então  fiz algumas fotos porque é "quelque chose", tudo muito!
Enfim, adorei!






As dobraduras dos guardanapos também estão expostas. Dizem que existem apenas duas pessoas na Áustria que detém o conhecimento de tal importancia.



Sigmund FREUD
Claro que uma visita a esse personagem lendário também estava no meu itinerário, então lá fomos nós ao hoje Museu do Professor Sigmund Freud. Lá permanecem muitos móveis e fotografias e quadros na parede, exatamente como era no passado. A chaise longue onde ele atendia seus pacientes, a biblioteca, inúmeros diplomas na parede, anotações, enfim, grande parte da sua vida.




Gustav KLIMT
Este fabuloso pintor, que é provavelmente o mais famoso de toda a Austria, teve o seu aniversário de 150 anos (14 de julho de 2012) amplamente celebrado em vários museus de Viena e nós fomos apreciar parte da sua arte no Wien Museum, onde havia alguns quadros e muitos desenhos e estudos do início da arte dele, além daquele camisolão  esquisito e amplo que ele costumava usar e outros pertences. O quadro do Beijo encontra-se num museu mais afastado da cidade, o Belvedere. Onde quer que você vá em Viena você vai esbarrar sempre com souvenirs ilustrados com a imagem do famoso The Kiss. Os vienenses amam Klimt e o seu aniversário é para eles motivo de grande comemoração, que vai se arrastar pelo ano inteiro. Junto com alguns arquitetos e designers do século dezenove,  Klimt foi o fundador do movimento chamado Vienna Jugendstil, que mescla elementos decorativos com temas eróticos, o que torna as imagens de Klimt a epítome da sensualidade do final de século. 




Aqui neste busto o olhar dele me lembra o John Malcowitch...


A Torta "Sacher"
Todo mundo que vai a Viena, de um jeito ou de outro acaba descobrindo que existe a famosa Sacher Torten e que é imperdível, tem que experimentar. Ok, então fomos lá experimentar uma legítima Sacher. Sacher é também um dos mais sofisticados hotéis de Viena - decerto em decorrencia do sucesso da tal torta - então o salão de chá é uma belezinha, super bacana e elegante.  Infelizmente o meu paladar não aprovou a torta maravilhosa, acho que é porque é de chocolate (eu não sabia) e eu prefiro tortas de massas brancas, então não posso afiançar que a torta é tudo aquilo que dizem, tive que deixar no prato, sorry.




O Museu ALBERTINA é mais uma parada obrigatória, mas não fomos conhecer. Paramos apenas prá apreciar a escadaria, que é um grande atrativo pela criatividade do seu desenho e colorido:


No centro, o point turístico principal é a "Stephanplatz"  junto da catedral de St. Stephen, que os vienenses carinhosamente chamam de Steffi. Ali também são vendidos ingressos para os concertos e óperas, na lateral ficam enfileiradas as inúmeras carruagens que a gente vê circulando pela cidade...os turistas adoram passear de carruagem, a mim não atrai nem um pouco...Por causa dessas carruagens, as ruas sempre exalam odores dos excrementos desses cavalos, é bem desagradável. Aqui em Paris, assim como no Rio e tantas outras cidades grandes, o que se sente normalmente  é cheiro de urina de pessoas mas em Viena é de b... de cavalo mesmo! Faz parte do cotidiano deles e pelo visto não altera  os números altos de turistas. Nos dias em que ali passamos havia muuuuuuuuuuito turista, muitos japoneses mas também muita gente do Oriente Médio, mais que em Paris eu diria. Viena é muito turística, não pensei que o afluxo fosse tão grande assim.

Todas as pessoas dizem que em 4 dias você pode ver tudo em Viena. Não para mim. Eu precisaria de pelo menos uns 10 dias prá ver e fazer tudo que gostaria . Visitamos a Casa de Mozart, a Casa da Música, que eu imaginava algo totalmente clássico mas é algo totalmente moderno, cheio de tecnologia e tal. Tem também o MAK que deixamos prá ir depois e acabamos não indo. Ali se concentram designers que expõem maravilhas, com certeza.

Foram-se os anéis mas ficaram os dedos!
No sábado,  já no trem a caminho do aeroporto para voltarmos a Paris, tivemos um grande contratempo. Percebi que a minha carteira tinha "desaparecido" da minha bolsa, com os nossos cartões de crédito, nossos euros e também...nossos passaportes! Não sabemos como foi nem onde, mas repassando os movimentos acabamos por concluir que foi no momento em que pegamos o elevador com "tres moças e uma senhora", falavam inglês, tinham uma mala, bem vestidas,  normais. Eu fiquei de costas prá elas e a minha bolsa ficou de frente...elas fizeram gracinhas, todos rimos juntos...elas 4 e nós 2 dentro do elevador!

De acordo com o que nos falaram no hotel,  em Viena esses furtos acontecem de maneira diferente do Brasil. Ali eles se fazem passar por turistas, fazem brincadeiras e distraem a gente, normalmente estão em grupos onde podem controlar a situação...
Essa foi a parte ruim, desagradável.

O incrível foi o que aconteceu a seguir, no trem.
Quando me dei conta da falta falei logo pro Fran, prá gente descer na próxima estação e retornar a Viena.
Fizemos isso e no trem que pegamos uma moça que estava com a mãe, com mala voltando de férias, perguntou o que houve, se poderia nos ajudar (deve ter percebido a nossa aflição no nosso semblante, pode?). Quando relatei o corrido, ela e a mãe imediatamente se dispuseram a descer conosco prá nos ajudar e ambas desceram, nos acompanharam buscando informações sobre achados e perdidos ou onde seria a polícia, porém sem êxito.

Aí entra o segundo anjo: Um casal mais velho parado na estação, a nossa anja perguntou a ele se sabia o que poderíamos fazer neste caso e ele foi logo dizendo que não adiantaria nada ir atrás do prejuizo, que teríamos que ir logo na embaixada do Brasil e na polícia registrar a ocorrência.

Resumo da ópera, ele liberou a esposa prá ir prá casa,  nos levou de carro até a Embaixada - onde não havia ninguém porque era sábado - descobriu o telefone emergencial da embaixada, ligou, me colocou em contato com uma pessoa - que não se encontrava em Viena - que nos aconselhou a voltar para o hotel e que se comprometeu a ligar prá lá prá nos garantir mais um pernoite e nos dar mais orientações, enquanto se comunicava com outro pessoal da embaixada prá providenciar os nossos novos passaportes. O nosso anjo da guarda ficou cerca de 3 horas conosco, até ter tudo alinhavado e nos levou de volta ao hotel, só foi embora quando teve certeza de que estaríamos bem encaminhados.

Detalhe: ele estava com o carro já carregado prá viajar com a esposa no dia seguinte para Veneza, ainda tinha que fazer a própria mala...

Quando perguntei a ele porque estava fazendo tudo aquilo por dois desconhecidos ele simplesmente me disse que "se colocou no nosso lugar e imaginou a dificuldade que teríamos".
Quando ele foi embora já eram quase 9 da noite e no dia seguinte pela manhã - domingo -, lá pelas 10 horas, já estávamos com os nossos novos passaportes em mãos. Não levou nem 24 horas!!!!
O pessoal da Embaixada foi nota 10!

Eu já estava com ótima impressão dos vienenses mas essa ajuda e consideração toda que tivemos superou qualquer expectativa que poderíamos ter com relação a qualquer pessoa desconhecida.
No final deu tudo certo, domingo à tarde já tínhamos conseguido sacar dinheiro por transferencia emergencial via VISA/WESTERN UNION então fomos relaxar às margens do rio Danúbio e deixamos prá pegar o vôo de volta a Paris na segunda-feira, o que aconteceu sem problema nenhum.

Estas fotos exprimem o nosso estado de ânimo pós-solução de todos os percalços!





Teria muito mais prá contar mas acho que já está bem assim.
Agradeço a Deus e ao universo por ter dado tudo certo no final sem nenhuma consequencia de maior gravidade.

2 comentários:

  1. Como é desagradável perder algo em viagem, no caso de vcs algo muito importante. Agora fica a liçao ,que quando encontrarmos alguém nesta situaçao, ajudarmos ...
    Enfim, acreditamos que anjos existem sim,e que Deus está sempre ao nosso lado.

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  2. Com certeza, nunca esqueceremos esse gesto, uma grande lição. Anjos existem e os nossos anjos da guarda estão sempre de plantão.

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